Descubra o que realmente é estratégia, do conceito à prática. Entenda os 8 elementos do movimento humano, a sabedoria prática e o segredo do planejamento estratégico reverso e da engenharia de rotas alternativas.
Se você perguntar a cem pessoas diferentes o que é "estratégia", provavelmente receberá cem respostas complexas envolvendo jargões corporativos e terminologias complexas. Mas, e se eu te dissesse que a estratégia não pertence apenas às corporações multinacionais, mas é, na verdade, uma dinâmica fundamental do movimento humano
O ponto central aqui é que nós, seja organizando nossos estudos na graduação, estruturando o nosso Drive com materiais da faculdade ou lançando um produto digital no mercado, executamos estratégias diariamente. Quando desconstruímos essa parte academica e vamos direto à raiz, chegamos ao que o Professor Jonathan Simões Freitas chama brilhantemente de "A Definição da Vó": estratégia é, simplesmente, "um jeito de tentar alcançar o que se quer"
Para esclarecer qualquer dúvida sobre como construir um plano infalível, ou pelo menos incrivelmente resiliente, vamos mergulhar fundo na estrutura da estratégia, saindo do puro desejo e caminhando até o desempenho real.
Estratégia na Prática: Desvendando o Mapa do Movimento Humano para Alcançar o que se Quer
Antes de listarmos os passos, precisamos entender que a estratégia é, em sua essência, uma viagem no tempo e no espaço
A teoria contingencial já nos mostrava que as organizações são como organismos disputando recursos no ambiente
- A Origem (O Coração e o Passado): É o nosso ponto de partida (o "De")
. Aqui moram os nossos valores e as nossas afeições . É o momento em que sentimos uma falta ou um desejo profundo que serve como o motor principal da ação . A virtude necessária aqui é a temperança, para sabermos lidar com essa falta inicial . - A Rota (As Mãos, os Pés e o Presente): É o caminho pelo qual trilhamos (o "Por")
. Representa a nossa prática, a nossa missão e o curso de ação real . Como o caminho é cheio de atritos, precisamos das virtudes da justiça e da fortaleza para agir de forma deliberada . - O Destino (A Mente e o Futuro): É o nosso ponto de chegada (o "Para")
. É onde projetamos a nossa visão e o nosso propósito valioso . Exige a virtude da prudência (a capacidade de prever e visar o fim correto) para que o esforço gere verdadeira satisfação .
A Anatomia da Estratégia: Os 8 Elementos Universais
Não importa se você é um estagiário de administração gerenciando a papelada de um departamento universitário ou o CEO de uma startup de tecnologia; toda ação estratégica possui a exata mesma estrutura fundamental
- O Agente Situado ("Alguém"): Toda estratégia começa com um indivíduo ou organização inserida em um contexto específico, avaliando seus recursos internos (Intro) e monitorando o macroambiente externo (Extro)
. - A Motivação ("Se quer"): O "estopim" ou gatilho
. Nasce de uma insatisfação ou desejo que desperta a nossa consciência (abrir o olho) e gera a volição, ou seja, a intenção firme de dar o primeiro passo no presente . - O Curso de Ação ("Um jeito"): É o elemento central e prático
. É o trajeto concreto escolhido no espaço-tempo, a escolha inteligente entre a "Rota A" e a "Rota B" . - A Adversidade ("Raios no caminho"): Representa a oposição do ambiente
. São as barreiras estruturais, a concorrência e as restrições que tentam nos impedir de avançar . - A Sabedoria Prática (Phronesis): A virtude da engenhosidade
. É a capacidade humana de deliberar e usar racionalmente os recursos disponíveis para contornar os imprevistos e obstáculos, sem nunca perder o destino de vista . - O Propósito Valioso ("O que"): O objetivo de alto impacto que justifica todo o suor
. Ele se divide em uma tríade fundamental: Subsistência (sobreviver e pagar as contas), Funcionamento (operar com eficiência) e Plenitude (a realização do potencial máximo) . - A Realização de Valor ("Conseguir"): O nível de desempenho real, o impacto gerado e a satisfação alcançada quando a estratégia é colocada à prova
. - A Incerteza ("De tentar"): Um erro comum que devemos evitar é achar que o sucesso é garantido. A eficácia de uma estratégia nunca é garantida previamente
. Ela é contingente e exige ajustes constantes, pois o ambiente foge do nosso controle total .
Na Prática: O Estudo de Caso "Contabola"
Para entendermos como essa engrenagem roda no mundo real, vamos analisar o caso prático do Rafael Andrade (FREITAS, 2026). Rafael, um analista financeiro de 29 anos de Belo Horizonte, sentia uma profunda insatisfação e temia ficar estagnado no banco onde trabalhava há seis anos
Para mudar isso, ele criou um aplicativo chamado "Contabola", focado em microempreendedores informais (como camelôs e motoristas), um público mal atendido pelos grandes bancos
Mas a Adversidade logo bateu à porta: ele tinha reservas financeiras para apenas 14 meses, enfrentava duas startups maiores com investidores no mesmo nicho, e ainda lidava com a resistência do pai e a preocupação financeira de sua companheira, Juliana, com quem dividia um financiamento
É neste exato momento de tensão que a intuição cede espaço para a Sabedoria Prática (Phronesis)
Ao final do semestre, ele alcançou 640 usuários pagantes
Integração 5W2H e o Lasso da Macroação
Um erro comum é achar que esse fluxo iterativo acontece em linha reta. Vamos visualizar isso usando uma ferramenta tradicional de planejamento, mas mapeada estrategicamente: a integração 5W1H.
Na imagem acima, vemos:
De (A Origem)
- Who? (Quem?): O agente situado.
- When? (Quando?): O ponto de partida.
- Where? (Onde?): O ambiente macroambiente.
- Why? (Por que?): O impulso Motivacional.
Para (O Fim)
- What? (O Que?): O Propósito Valioso (O grande objetivo ilustrado pelo Diamante).
- É importante separar "O Que" do desfecho real e sucesso, que variam devido ao tempo e incerteza fundamental.
Por (O Meio)
- How? (Como?): A sabedoria prática (A Engenhosidade e o método escolhido para a travessia).
Essa jornada central é o que é chamado de Lasso da Macroação. É um trajeto dinâmico que traceja suas escolhas e adaptações contínuas contra os adversários e obstáculos do percurso. Esse fluxo iterativo de "Por que" para "Como" é, na verdade, o motor que alimenta o Lasso da Macroação.
O Mapa da Complexidade: Múltiplas Rotas para o Mesmo Diamante
Mas e agora todo mundo, vamos colocar um freio nessa linearidade! É vital não cair na armadilha da linearidade perfeita. O planejamento reverso não é um trilho de trem único e retinho. Ao olharmos do Diamante (o Quê) para trás, nós não vemos necessariamente uma escadaria de degraus únicos e perfeitos.
A realidade é que um mesmo 'O Quê' (ex: o objetivo de comprar uma casa) pode se desdobrar em diversos 'Comos' alternativos. Um caminho (Rota A) pode ser focado estritamente no corte de gastos e na disciplina financeira. Outro caminho (Rota B) pode ser focado na geração agressiva de renda extra. Um terceiro caminho pode ser a busca por um financiamento diferente.
E sabe o que é mais interessante? Todas essas rotas derivam e servem perfeitamente ao mesmo 'Porquê' inicial (a dor da instabilidade). É exatamente neste ponto de bifurcação que a Phronesis (engenhosidade) e a capacidade de deliberação do agente são testadas. A gente precisa ponderar essas opções e escolher o caminho que é, ao mesmo tempo, mais eficiente e mais resiliente para contornar os imprevistos que vão surgir no Lasso da Macroação.
Planejamento Reverso e Engenharia de Rota
Aqui está o segredo técnico mais valioso trazido pelas anotações das aulas do professor Jonathan, e ele exige uma mudança fundamental na nossa forma de pensar.
Podemos esquecer aquela ideia intuitiva, pois a estratégia não é um fluxo linear direto do início para o fim (como-como-como -> o quê). Ela é, na verdade, um processo de planejamento reverso. Nós começamos com o efeito desejado (o O QUÊ), definimos a causa (o PORQUÊ) e, então, realizamos uma engenharia reversa do plano, trabalhando de trás para frente no tempo para traçar o caminho exato.
As setas que vimos não representam apenas "passagem de tempo" na execução, mas sim a relação técnica de "o quê é determinado por o quê":
- O PORQUÊ determina O O QUÊ: A motivação gera o objetivo final. (Por que -> O que).
- O O QUÊ determina O COMO: O objetivo dita retroativamente os passos necessários para alcançá-lo. (Seta: O que < Como).
Exemplo prático de Mapeamento Reverso do Plano Estratégico aplicado ao objetivo de 'Comprar uma Casa'.)
Olha como essa lógica de engenharia reversa fica clara no infográfico acima, aplicado ao objetivo de comprar uma casa:
- Ponto 1: Porquê > O Quê (Passo de Determinação 1): O "Por que" (Estabilidade, impulso motivacional) gera o impulso estratégico para o objetivo.
- Ponto 2: Mapeamento Reverso > Retroação (O Grande Segredo): Uma vez que sei O QUÊ (o Diamante/Comprar a casa), eu olho para trás no tempo para determinar qual é o COMO logo anterior necessário para chegar lá.
- Ponto 3: Retrofrequência do Como: Para ter money input, retrocedo de novo: preciso de um emprego pós-estágio que pague bem. Para ter esse emprego, retrocedo: preciso me formar (Como). Para me formar e já estar posicionado, retrocedo ao momento atual: preciso ter um bom estágio hoje (Como).
Essa é a verdadeira engenharia de rota!
E agora eu pergunto a você: olhando para o seu principal objetivo deste ano, qual é o "raio" (adversidade) que está no seu caminho agora, e qual será a sua "Sabedoria Prática" para contorná-lo?
Deixe sua visão nos comentários!
A Bússola Teórica: De Onde Vem Esse Conhecimento?
Para quem acompanha minha rotina acadêmica e empreendedora, sabe que eu faço questão de unir a teoria rigorosa com a aplicação no nosso dia a dia. Todo esse modelo visual e a estrutura profunda que apresentei aqui não surgiram do nada. Eles são o resultado direto das minhas anotações e reflexões na disciplina de Estratégia I, no curso de Administração da UFMG.
Tive o enorme privilégio de aprender essa perspectiva, que desconstrói a estratégia corporativa engessada e a transforma em um estudo fascinante do "movimento humano", diretamente com o Professor Jonathan Simões Freitas. A genialidade de cruzar a simplicidade da "definição da vó" com a literatura acadêmica de ponta é fruto das pesquisas e metodologias de ensino desenvolvidas por ele. Para quem deseja beber dessa fonte e mergulhar na visão científica por trás da nossa prática, fiz questão de incluir o currículo acadêmico e artigos do professor nas referências logo abaixo!
Referências Bibliográficas
- Conteúdo Original: Baseado no conteúdo audiovisual e nas anotações produzidas por Thaís Costa para o canal Thaís Costa Pro (YouTube, 2026).
- FREITAS, Jonathan S. Strategy: Its Structure. Material de apoio - Visualizing-Strategy_Structure, 2026.
- FREITAS, Jonathan S. Estrutura da Estratégia: A Dinâmica do Movimento Humano. Apresentação visual de conceitos estratégicos, 2026.
- FREITAS, Jonathan S. Transcrição aulas de Estratégia I. Anotações de aula e estudo de caso estruturado de Rafael (Contabola), 2026.
- FREITAS, Jonathan Simões. Estratégia, combinação e reticências. Revista ForScience, v. 8, n. 1, e00695, 2020. Disponível em:
.Link da Publicação - FREITAS, Jonathan Simões. Currículo Lattes (Perfil de Pesquisador UFMG). Disponível em:
.http://lattes.cnpq.br/5394006847919001 - RONDA-PUPO, G. A.; GUERRAS-MARTIN, L. Á. Dynamics of the evolution of the strategy concept. Strategic Management Journal, 2012.
Curadoria e Redação: Thaís de Souza Costa (Thaís Costa PRO)
💡 Como citar este artigo:
COSTA, Thaís S. "O Que É Estratégia? O Guia do Movimento Humano Rumo ao Valor". Thaís Costa PRO, 2026. Disponível em: [Link do Blog]. Acesso em: [data].


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